FROST/NIXON:


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Original: Frost/Nixon
País: EUA
Direção: Ron Howard
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones
Duração: 122 min.
Estréia: 06/03/2009
Ano: 2008


Somente boas atuações não fazem um bom filme


Autor: Cid Nader

Ron Howard não é daqueles diretores que despertam sensações boas em cinéfilos exigentes. Certo? Certo. Tem feito filmes que se encaixariam bem naquele padrão que oferece algo a imitar trabalhos de aspecto mais cuidadoso (no sentido de cuidados e compreensão da arte cinematográfica como arte mesmo), mas com um evidente pé fincado nas possibilidades que o público mais amplo espera assistir quando adentra uma sala escura – isto é, construiu, até hoje, sua carreira com obras que aparentam fugir do padrão mais “comunzão” do cinema comercial, mas que na realidade acabam por configurar um subproduto artístico (um modo idealizado pelos americanos de fazerem produções que se “aproximariam” do cinema realizado na Europa – como se tudo de lá que vem de lá tivesse a mesma cara e a mesma origem): falsos “filmes de arte” (com todo o respeito ao pejorativo que pode significar categorizar filmes por tal alcunha). Não tem se mostrado diretor de mão boa para conduzir trabalhos mais intimistas (como entendo que deveriam ser tratados os filmes que fogem da amplitude para centrarem-se em figuras) – apesar de ter vários trabalhos com personagens únicos como a meta principal – e não creio que foi dessa vez que virou a mesa para se tornar um diretor inquestionável.

Se inicio meu texto quase que espinafrando o diretor pelo apanhado de sua obra pregressa, é porque me instigou ver algumas reações extremante positivas sobre este filme, partindo de detratores contumazes de Howard, mas atendo-se, quando questionados por mim sobre as razões de tanta louvação, à atuação da dupla principal como um fator tão inquestionavelmente superior, que acabaram por passar a impressão de que “somente” boas atuações podem salvar ou fazer louvável um filme. No caso, a boa dupla de atores – que realmente, concordo, estão pra lá de bem nesse trabalho – constitui-se por, Frank Langella (no papel do ex-presidente – cassado – Richard Nixon), e Michael Sheen (representando David Frost, um “showman” britânico que consegue, após sacrifícios enormes e muitas “tratativas” financeiras, fazer um programa exclusivo com uma pormenorizada entrevista com o presidente que sofreu o primeiro impeachment da história dos EUA). Eles já haviam feito o papel numa peça teatral sobre o mesmo tema, mas é de bom tom advertir que o diretor realmente conseguiu desarmá-los dos trejeitos dessa, para constituírem atuações de puro teor cinematográfico. Ok, o filme é bem atuado, isso parece ser ponto de convergência.

Mas fica muito nisso este novo trabalho do diretor das aparências, que desta vez, inclusive, nem conseguiu muito fugir delas, realizando um filme de puro teor americano (e um tanto britânico também, vá lá). Teor americano-britânico na maneira de construir o filme: recheado de situações de tensão leve – quando alguma coisa parece que não dará certo, que a última chance está lá à frente pronta a escapar pelos dedos, quando um potencial financiador nega ou recua no último momento – que sabemos fazer parte de um truque comum à linguagem, mas que serve somente como momentos de indecisão que sempre desembocarão num final feliz e aguardado (um mecanismo bastante utilizado pelo cinemão, que não gosta mesmo de ver os seus espectadores sofrendo ou descrentes, e que sempre deixa antever por “buracos” que aquilo lá terminará da melhor maneira possível). Teor americano-britânico na correção das imagens bem captadas, com “falsas” tentativas de algumas ousadias estéticas (no caso desse uma insistência em desviar abruptamente a câmera de algo – um olhar, uma mesa... - em busca de um gesto, ou ainda com as matizes escolhidas como fundo nos momentos de um Nixon só e pensativo), na impossibilidade de qualquer sujeira ou apara visual (mas, nesse caso, por crença na limpeza do quadro), ou na trilha sonora que jamais se destaca a mais do que um simples complemento de seqüências (nem me lembro delas, na realidade). Para não me estender em tentar fazer perceber porque o filme não me agrada, resumo dizendo que é um filme comum demais, como os muitos vistos por aí a todo ano, e que tem sua, talvez, única virtude na parelha de atores que o sustentam.

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