JUVENTUDE:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Domingos Oliveira
Elenco: Domingos Oliveira, Paulo José, Aderbal Freire Filho
Duração: 72 min
Estréia: 23/01/2009
Ano: 2008


Somente uma observação superficial sobre o que vi


Autor: Cid Nader

Quem conhece os filmes de Oliveira e com ele atuando, sabe da dificuldade que é compreendê-lo, com sua dicção bastante complexa, e movimentos lábias quase inexistentes. Sabe o quanto isso é mais complicado ainda justamente pelo excesso no cuidado texto – seus filmes são trabalhos fortemente amparados no texto (sempre bom e inteligente) – que se tornam muitas vezes indecifráveis quando saídos de seus lábios pouco movimentados. O diretor realiza trabalhos que poderiam ser memórias suas, e cada vez mais abdica da ação em favor de relatar os fatos para a tela muitas vezes.

Bem, assisti a "Juventude" na sala do Cine Sta Teresa a Mostra de Cinema de BH. O fato causou uma situação de quase invalidação de avaliação crítica, pelo lamentável resultado de som que foi entregue. Uma mistura de dicção lamentável de Domingos Oliveira, e complicada de um Paulo José batalhador na sua insistência em permanecer ativo, presente e atuante, e uma certeza que se repetiu fortemente quanto à nada boa solução sonora criada (obtida) para a sala ainda em estágio de reformulação, se tornaram quase um martírio para quem assistiu à sessão com um mínimo de expectativa que impedisse possível e desabalada correria porta afora. Deu para pescar alguns momentos de texto quase antológicos em sagacidade, humor e comentários com avaliação amorosa – praxe nos trabalhos do diretor –, e para ficar com raiva por conta do esforço na tentativa de compreensão que deveria ser fluida e razoavelmente tranqüila. Deu para perceber o incrível e questionável – questionável como opção de apoio por parte do diretor a Paulo José, mas com resultado que na realidade causa constrangimento e “dó” (dó que tenho certeza o ator não considera como sentimento a ser sentido quando se vê e se pensa nele) – esforço do ator nessas tentativas de se mostrar vivo e ainda producente. E deu para notar veementemente – e aí não havia som ou falhas sonoras que mascarariam tal situação – o quanto Domingos tem estado displicente na maneira de captar imagens (enquadramentos ruins, apressados e sem vida, sem brilho, sem função estética definida), no modo de editá-las, no respeito que a porção “visual” deveria merecer por importância quantitativa dentro dessa arte que é muito mais imagem do que qualquer outra coisa. Mas não deu para perceber um filme (com qualidade ruim de imagens ou não, com falas dignas e boas ou não) de verdade na sua totalidade e daí, não creio ser justo falar mais coisas. Aguardando uma próxima possibilidade.

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