CARGA EXPLOSIVA 3:


Fonte: [+] [-]
Original: Transporter 3
País: França
Direção: Olivier Megaton
Elenco: Jason Statham, Robert Kneeper, Natalya Rudakova, François Berléand, Jeroen Krabbé, David Atrakchi
Duração: 100 min.
Estréia: 12/12/2008
Ano: 2008


Explosão com culpa no cartório


Autor: Cid Nader

Olivier Megaton é o nome do diretor. O roteiro é de Luc Besson. Olivier Megaton tem até um nome que combina com esse tipo de filme – muito barulho, pensamento grande ... Já Luc Besson tem um nome que combina com cinema francês para turista ver: diretor de modelos variados de filmes, entrou na estrada da fama com os datados "Subway" (1985) e "Imensidão Azul" (1988), que já mostravam que ele pretendia direcionar sua carreira distante do que se convencionava padrão comum ao país: obras densas, iluministas, faladas, e até chatas para um padrão de público. Besson parecia surgir como aquele que traria a França à luz da artificialidade estética, meio vazia, meio para ser comprada por quem estava acostumado mais ao jeitão americano comum de fazer cinema. Daí, um passo para os filmes de ação no modelo mais hollywodiano do termo, onde carros explodem, a tecnologia prima por ser a de ponta, os músculos falam mais do que a mente e as idéias se apresentam aparentemente bem boladas, mas quando vistas por lupa revelam falhas e vazios bizarros.

O que se poderia esperar de "Carga Explosiva 3" com o nome de Besson envolvido tão diretamente, e já com fama do fortão Frank Martin (Jason Statham) desde os dois outros filmes da série. Uma cópia à melhor (pior) maneira do que o cinemão americano faz desde sempre. Se é pra se divertir descompromissadamente que se vai um filme desses, é justo dizer que os norte-americanos sabem como fazê-lo sem nenhum resquício de culpa no cartório, sem contas a acertar com quem quer que seja (a não ser os produtores) e sem dar maiores explicações a não ser pauleira e correria. Os franceses têm uma mania protecionista (paternalista) que acaba sempre e sempre se apresentando para justificar algo. Ao imaginar a história a ser corrida e explodida nesse filme, eles tinham que vir com "idéias idealistas" por trás: contam de lixo tóxico e de falcatruas tentadas por um bando de bandidos bem organizados para dar um destino pouco nobre a ele; ao invés de assumir de peito mais aberto (coisa que o ator principal faz gratuitamente a título de expor a musculatura para admiradores – e, na realidade, para tentar disfarçar quão fraco é atuando) que o mote do filme é mexer descaradamente com a adrenalina de fãs do estilo, inventam uma falsa razão para tal, e com isso acabam sepultando qualquer tipo de humor que poderia correr paralelo e permitir algum tipo de respiro.

O que ocorre é que quanto mais impossibilidades físicas vão ocorrendo ante o olhar do espectador, mais chato o filme se torna, porque ao abdicar de se enxergar a si mesmo, um pouco, com mais humor, e às peripécias como coisas de cinema, afinal, ao emprestar urgência demais e fatos "sólidos" a serem debatidos, a diversão esvai, e nota-se, com um danado de um peso nos ombros, que aquilo tudo ali "é impossível de acontecer". Coisa mais chata do que ter que levar a sério algo que deveria existir somente como um modo de diversão – para quem gosta, ao menos? Perder a oportunidade de expor também a beleza singular de Valentina (Natalya Rudakova) – que também, faça-se justiça, trabalha mal demais - para fazê-la desmanchar-se de amor ante paisagens de calendário e música romântica? Resumindo e indo diretamente ao ponto: se a a idéia é a de explodir a tela e fazer um filme de porrada e pancadaria, que se faça sem culpa no cartório, assumindo as incongruências de um roteiro cheio de falhas e furos, e evitando que os tempos mortos do filme – aonde se poderia pensar um pouco ou rir, enquanto de prepara nova saraivada de emoção – sejam mortos mesmo, e inúteis.

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