FRONTEIRA:


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Original: IDEM
País: Brasil
Direção: Rafael Conde
Elenco: Cioletti, Berta Zemel, Débora Gómez
Duração: 85 min.
Estréia: 28/11/2008
Ano: 2008


Barroco de botequim: mas nem sempre.


Autor: Cid Nader

Baseado na obra literária de Cornélio Penna (1935) esse longa de Rafael Conde foi realizado no ano de 2002. Longe, não? Coisas do cinema brasileiro, ainda mais quando a obra vê, com algum tipo de aura que a "desbanque" para a lonjura de ser imaginada como minimamente rentável - e mesmo sabendo-se ser filme bastante aguardado por alguns mais antenados: mitológico até. Passa-se num ambiente absolutamente barroco, no final do século XIX. O diretor Rafael Conde se apropriou desse "barroquismo" para a confecção do trabalho e encheu-o de climas estranhos. Tentou, com um excesso no cuidado fotográfico, dar conta dessa pretensão de paridade estética ao estilo que dominou o mundo num certo momento, e que foi importado de modo muito contundente para algumas paragens brasileiras - sendo que Minas Gerais talvez tenha sido o maior expoente de ostentação do estilo. Foi um aposta óbvia e assumida. O drama do resultado é que por quase todo o tempo nota-se que há um determinismo por conta da realização na tentativa de não deixar jamais que o clima imagético se perca - novamente o risco (por vezes desnecessário) se impondo. E essa tentativa insana em manter as imagens como protagonistas principais - como o que terá conduzir o filme e marcá-lo na mente do espectador, acima de todas as outras possibilidades e formas de marca - domina demais as outras possíveis ações para a confecção cinematográfica conclusa.

Resultam erros e acertos, obviamente, nessa opção: um excesso de feixes de luzes, por exemplo - como fosse obra de Ridley Scott. Mas, em contrapartida, a brincadeira em alguns momentos com esses mesmos feixes de luz - a câmera se movimenta e lhes dá "vida" - faz perceber que o risco da opção pela estética até pode gerar bons frutos (o segredo talvez consista sempre em não se deixar dominar pelas tecnicidades plásticas). E vai indo assim, "Fronteira",o tempo todo. Entre acertos e erros, pronto a agradar quem quiser ser agradado. Quando se olha para o trabalho, nos outros quesitos, ele despenca definitivamente e não oscila mais como se observado pela evidente intenção principal. Os diálogos e atuações têm jeito de oriundos de minissérie televisiva. A edição também não foge disso - há campo e contra campo demais nas conversas - e, mesmo com tomadas de mais longa duração, as emendas que costuram o trabalho não permitem que o ritmo de cinema se imponha. Há, sim, um final maravilhoso - toda uma seqüência tomada com câmera noturna que causa um momento estético raro no cinema nacional (e nesse caso, mas quase somente nesse, percebe-se que trabalhar a "forma" é coisa de conhecimento, que quando bem executada faz do cinema estético algo belo ou precioso demais). E nesse ponto, a camuflada opção estética se fez correta. Um final de marcar na retina, como o filme se pretendeu por toda sua extensão.

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