PINDORAMA - A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS 7 ANÕES:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Roberto Berliner, Lula Queiroga e Leo Crivellare
Elenco: Documentário
Duração: 75 min.
Estréia: 21/11/2008
Ano: 2007


Mais profundo do que se imaginaria.


Autor: Cid Nader

No nordeste foram encontradas essas pessoas que acabaram por servir à realização de um documentário que atinge patamares mais amplos e mais interessantes do que a simples curiosidade do caso faz parecer regra numa primeira vislumbrada. A história de uma família de anões que é dona de um circo e trabalha de forma bastante profissional para sua sobrevivência já seria de curiosidade suficiente para um público ignorante no assunto. Existem mitos sobre essas pessoas, que acabam relegadas ao desconhecimento mais amplo, principalmente por conta de quase não receberem oportunidades de integração no mercado de trabalho e na sociedade, afinal. Acabam relegadas às sombras dessa sociedade e quando comparecem a um pouco de sua luz, normalmente, é porque estão iluminadas pelas luzes de circos ou outros tipos de empreendimentos de "diversão" similares. O curioso nesse trabalho é que eles merecem a luz das câmeras que irá retratá-los por conta de sua ligação ao circo sim, mas o que motivou os diretores à execução do trabalho é o fato do comportamento "não imaginado" deles. São donos do circo, e não somente a curiosa atração.

Esclarecidos - percebe-se pelo modo como falam e até pelo modo de "olhar" bastante confiante - contam suas vidas aos poucos, revelando-se mais comuns do que imaginaríamos na distância de nossa ignorância. Demonstram alguns contrastes curiosos sobre o modo de encararem o porvir: todos se casaram com pessoas "normais", sem a carga genética do nanismo - falam até brincando, que anão não se interessa por anão (evidente manifestação de preconceito contra suas próprias deformidades? Simplesmente gosto pelo que é mais belo na apreciação mais comum a todos?). Sabem que terão alguns filhos com o mesmo problema, mas não evitam tê-los, e aí se revela um fator que poderia parecer impensável para nós, mas que acaba revelando que o que sentem mesmo quanto às suas "condições diferenciadas" não é do mesmo teor. Eles nutrem "normalidade" pelo seu jeito (apesar de preferirem seres "altos" para se casarem) e até demonstram felicidade quando percebem que um filho também será anão. Nutrem amor também pelos filhos de constituição normal e isso é uma revelação de "superioridade" sobre a maioria dos "outros".

Sem conseguir determinar até que ponto esse comportamento pode ser algo mais específico a esse grupo especificamente, mas percebendo que o inverso acontece também no caso dos que com eles se casam - que fugiram de casa para tal, ou se apaixonaram, ou não tiveram qualquer tipo de dúvidas - o que fica evidente é que o documentário deu uma sorte "danada" na escolha do assunto e acabou entregando ao público uma curiosidade que acaba sendo mesmo (e de modo raro) uma prospecção profunda em alguns recantos menos explorados da alma humana. É bonito, também, quando mostra-os professando seus afazeres no circo, e feliz quando bota algumas crianças falando coisas de teor, importância e humor adultos. Não tem construção formalista inovadora ou muito bela, pelas opções estéticas adotadas, mas não desperdiça oportunidades. Imprime como uma de suas marcas algumas músicas que contam a história da trupe. Não entrega se a sub-leitura mais ampla do que nos passa foi proposital, ou se a intenção era somente a da curiosidade do assunto. O que importa é que acabou acertando.

Leia também: