A DUQUESA:


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Original: The Duchess
País: Reino Unido
Direção: Saul Dibb
Elenco: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper
Duração: 110 min.
Estréia: 21/11/2008
Ano: 2008


Careta, antiquado...


Autor: Cid Nader

Parece que tem se tornado uma certeza, mais do que aviso a ser entendido aos desentendidos, quando surge um filme com essa verdadeira liga das nações envolvidas na sua produção: "fujam", diria eu, como aviso certo a ser dado. Sincera e honestamente não sei porque ainda se fazem filmes de tal tipo e modelagem no cinema de hoje em dia. Se é para fazer chorarem mulheres "mais mulherzinhas" e homens mais sensíveis, acho que não careceria. Se é para iluminar e alegrar corações saudosistas por imagens e vestuário de filmes de época - me recuso cada vez mais aceitá-los formatados no padrão "standard", principalmente, de interferências definitivas em obras recentes -, acho bobagem. Se for produto sob distribuição de majors do setor - no caso desse, Paramount -, fortifica-se a minha indignação ante o resultado, como aumentaria minha certeza sob assertivas de economistas defendendo padrões monetários suspeitos, ante crise violenta, sendo tais economistas empregados formais de bancos ou empresas de valores.

Para piorar, tenta-se vender a idéia de que talvez a força e atrativo de "A Duquesa" estaria na história real em que ele foi baseado - a da revolucionária e libertária Duquesa de Devonshire, Georgiana Cavendishe (interpretada de modo padrão por Keira Knightley) -, mas de onde pouco ou quase nada transpira para a tela, e que não oferece ao leigo no assunto (incluo-me nessa) maiores ou mais seguros dados. Questiono veementemente e indignado a razão de tal modelo de filme ainda ser confeccionado - sabendo que o questionamento correto deveria dirigi-lo mesmo à minha pessoa por ter optado em vê-lo.

Careta, antiquado, não oferece nem um resquício ou traço de ousadia técnico formalista ou narrativa. Contado de forma linear sem possibilidades de escorregão, acaba caindo mesmo, e feio, na armadilha desse conformismo optado. Não passa esperanças além do que ficar vendo perucas bem arranjadas e vestuário correto em desfile. Aparentemente não consegue nem atrair a boa vontade dos atores que cumprem suas funções como fossem funcionários públicos entediados - ou caímos no velho drama da má "gestão" na direção dos atores, já que imaginar este tipo trabalho mal editado seria como dizer que tem dinheiro sendo jogado pela janela, imaginando mais à frente que a edição foi feita com o material possível obtido em campo; restando dizer que a culpa nesse quesito recairia sobre os ombros do diretor (aliás, fato até bem provável e compreensível, já que Saul Dibb topou tal empreitada - até co-roteirizou -, e fez o que fez).

É atrás de público fácil que ainda se faz possível ver tal tipo de filme sendo lançado na praça? Porque se é o caso, quero saber a quem atraiu e a quem agradou: para poder evitar ver os filmes de que gostam. Novamente: não imagino tal tipo de cinema sendo confeccionado, e não concebo tal tipo de cinema atraindo público. Ouvi hoje - dia da estreia -, que é candidato fortíssimo a "Oscars". Nem dá para falar mais nada, está bem entendido o recado.
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