WALLACE & GROMIT: A BATALHA DOS VEGETAIS:


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Original: Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit
País: Inglaterra
Direção: Steve Box e Nick Park
Elenco: Animação
Duração: 94
Estréia: 07/10/2005
Ano: 2005


“Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais” : Um filme massa!


Autor: Fábio Yamaji

Três motivos tornam este filme imperdível: o primeiro por se tratar de um longa-metragem feito na artesanal técnica de stop motion, mais conhecida como animação de massinha. Um filme raro, pois é somente o quarto longa feito com esta técnica a estrear por aqui, desde 1994. Os outros foram “O Estranho Mundo de Jack”, “James e o Pêssego Gigante” e “Fuga das Galinhas”. E não sei de outros que tenham passado na telona antes desses. Mas vimos ainda, na TV: “A Rena do Nariz Vermelho” - que passou durante vários Natais seguidos nos anos 80, e “O Senhor dos Milagres”, produção russa de 2001 que foi direto pra DVD. O grosso da produção em stop motion está mesmo nos curtas que circulam por aqui nos festivais.

Outro grande motivo é porque “Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais” foi produzido pela Aardman Animations, venerado estúdio britânico. A Aardman é a principal referência quando o assunto é animação de massinha, pois mantém um altíssimo nível de qualidade na produção de seus curtas e comerciais. Tem pontos fortes nos roteiros sempre bem-humorados, na fluidez dos movimentos animados quadro-a-quadro e no trabalho impecável de construção de bonecos, cenários e objetos de cena. Tamanho capricho rendeu muitos prêmios ao estúdio em festivais pelo mundo afora, incluindo várias indicações ao Oscar e prêmios Bafta. Três estatuetas do homenzinho careca enfeitam o hall de entrada da sede da Aardman, em Bristol.

A bem-sucedida incursão de Wallace & Gromit na categoria longa-metragem justifica o terceiro motivo pra não perder este filme. A dupla fez sucesso em três curtas em 35 mm (dois deles oscarizados), em vários comerciais pra TV e em uma série de 10 curtas pra internet. Virou febre pela Europa e no Japão e tem admiradores no mundo inteiro. Wallace é um avoado inventor inglês que cria engenhocas inúteis, auxiliado pelo seu cão-assistente Gromit. Wallace é o chefe, mas é Gromit que, calado, testa os inventos e antecipa seu (mal) funcionamento. Este atua mais como um cão-guia de cego do que um mero assistente.

“A Batalha dos Vegetais” explora esta parceria hilária numa história que mistura um banal concurso regional de legumes gigantes com clássicos do cinema de terror, como “O Médico e o Monstro”, “Lobisomem” e “King Kong”. E faz isso ao apontar inocentes coelhos fofos como pragas altamente ameaçadoras! Tudo isso, com o peculiar humor inglês e seqüências de ação de tirar o fôlego – características já exploradas e muito bem sucedidas nos curtas dos anos 90.

O mais bacana de tudo isso é que se percebe claramente que os elementos em cena são reais, que estão de fato lá na frente da câmera. As marcas de dedo na massinha não deixam mentir. As digitais são a prova do crime, também neste caso. E é esse o “digital” que caracteriza o stop motion. É esta a técnica de animação que cria o encanto de ver “brinquedos” se movendo sozinhos, materializando nossas fantasias de criança.

“Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais” é um grande filme, apesar de ainda ficar atrás dos curtas que o originaram – em dinamismo e diversão.

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