VICKY CRISTINA BARCELONA:


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Original: Idem
País: EUA/Espanha
Direção: Woody Allen
Elenco: Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Christopher Evan Welch, Chris Messina, Patricia Clarkson, Kevin Dunn, Julio Perillán e Josep Maria Domènech
Duração: 96 min.
Estréia: 14/11/2008
Ano: 2008


Allen no seu filme mais sensual


Autor: Cesar Zamberlan

O cinema de Woody Allen tem se mostrado tão camaleônico quanto o seu personagem Zelig. Seus dois últimos filmes, feitos na Inglaterra, eram tragédias burguesas retratando a sociedade londrina e tematizando a questão da ascensão social. Agora, na Espanha, em Barcelona, Allen faz um filme bem sensual, caliente, usando a imagem clichê que se tem da Espanha, para tratar de relacionamentos e questões amorosas. Como o próprio nome do filme diz, a cidade espanhola acaba virando uma protagonista do filme e Allen não se furta a exibir seus cartões postais.

O ponto de partida do filme é a viagem de férias de duas amigas, vividas pelas atrizes Scarlet Johansson e Rebeca Hall, para uma temporada de dois meses na capital da Catalunha. Logo, elas conhecem um artista plástico local interpretado por Javier Bardem e a partir daí triângulos se formam e deixam de existir, afetando a vida de todos os personagens.

Mais leve e saboroso que seus filmes recentes, “Vicky Cristina em Barcelona” tem uma construção narrativa baseada num narrador onisciente que pontua as cenas de maneira bastante livresca num tom próximo ao narrador de “Barry Lydon” de Kubrick e dos narradores de Lars Von Trier em “Dogville” e “Manderlay”, ainda que seu texto seja mais neutro.

Fluente na construção das cenas, com uma fotografia com cores quentes e com os diálogos fortes e inteligentes de sempre, Woody Allen, mais uma vez, se dá muito bem na escolha do elenco, e não só pela beleza e magnetismo de atores e atrizes, em especial Penélope Cruz, mas por compor de maneira precisa um quadro de tipos de fácil empatia com o público representando anseios e desejos amorosos também facilmente enquadráveis: o amor doentio e possessivo, no limite da entrega absoluta e da ameaça física; o amor burguês que se coloca em cheque diante de uma aventura romântica que é o seu oposto; as incertezas em relação ao que se quer no amor e as frágeis certezas quanto àquilo que não se quer; entre tantas outras situações possíveis na ordem e desordem amorosa.

Esse apelo popular, no entanto, não empobrece o filme, muito pelo contrário. “Vicky Cristina em Barcelona” é um filme com uma fluência narrativa envolvente e sua simplicidade, formal e no tematizar o amor, acabam fazendo deste um dos melhores filmes de Allen dos últimos tempos.

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