ORQUESTRA DOS MENINOS:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Paulo Thiago
Elenco: Murilo Rosa, Priscila Fantin, Othon Bastos, Jaime Leibovitch, Lais Corrêa, Gustavo Gasparani
Duração: 95 min.
Estréia: 07/11/2008
Ano: 2008


Há que se lutar para manter a boa vontade


Autor: Cid Nader

Paulo Thiago buscou uma história acontecida no mundo das artes brasileiras, trazendo ao cinema uma repetição do descaso com que são tratadas as mais diversas camadas das coisas de nossa sociedade (pode ser no plano da saúde, no da educação, ou no das artes e a facilitação ao seu acesso, como é o caso, aqui). Se interessou pela história de um batalhador solitário, que conseguiu criar um núcleo de música clássica no agreste de pernambucano, o maestro Mozart Vieira (interpretado dignamente por Murilo Rosa), mas refez a trajetória que a oficialidade costuma exercer ao destratar tais modelos e atitudes, parecendo ter ser importado mesmo pela coisa por conta de uma situação que envolveu e trouxe à tona nacional a questão.

Razões ou não razões para sua confecção, o drama maior se instala mesmo no obtido pelo diretor. Um filme de mão mais do que pesada, desastrada, onde há elaborações de angulações absolutamente comuns – no pior dos sentidos -: que tentam potencializar situações com tomadas enviesadas (no caso de passar ao público as sensações das emoções dos protagonistas em momentos catárticos). Muitos cortes para possibilitar a emenda de planos “quadrados” (normalmente obtidos em ambientes pequenos, que exigiriam outras soluções mais naturalmente fluidas); algumas invenções que não resultaram boa adequação de luz; o uso de câmera nervosa na mão para criar tensão (nos momentos do crime que trouxe ao conhecimento mais amplo a situação de lá), demonstrando uma sensível falta de habilidade no manuseio (ou má opção na hora da escolha das cenas para a montagem); e, principalmente como se fosse um exemplo do que não deve ser feito jamais, os momentos em câmera lenta, que já é um recurso bastante questionável por si só, mas que em Orquestra dos Meninos ganhou um aspecto mais descartável e detestável, pois criou tentativa de alongamento de dramas pontuais, com o objetivo de repercutir na plateia o sofrimento do momento (a cena da banda praça, sob chuva – com muito sol iluminando desastradamente tudo -, é exemplo pilar dessa má “conduta”).

Há dois momentos no filme em que se pensa em abandonar a “má vontade”, pois são belos: são instantes musicais de grandeza sonora, e até elaboração visual competente, sendo que o mais emocionante é o que ocorre sob som de músicas de Villa Lobos – começando com o Trenzinho Caipira, para na sequencia ser inserida a bela voz da cantora (uma das jóias achadas na região), que culmina com a “invenção” de um salto que encerrará a récita no estúdio de gravação: mas o todo não permite que se esqueça dos poblemas. A história é emocionante e mereceria com certeza um melhor tratamento. Paulo Thigao não conseguiu, podendo encerrar as exemplificações de seus desastres nas opções esquemáticas/maniqueístas que determinaram o caminhar e o destino de muitos dos personagens, sendo que o de Othon Bastos é ideal para criar marca negativíssima.

Leia também: