CLIMAS:


Fonte: [+] [-]
Original: Climates
País: Turquia
Direção: Nuri Bilge Ceylan
Elenco: Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan, Nazan Kesal, Mehmet Eryilmaz, Arif Asci
Duração: 101 min.
Estréia: 07/11/2008
Ano: 2006


Belas e frias paisagens não bastam.


Autor: Cid Nader

Imaginei esse material desenvolvido por Antonionni quando a sessão terminou. Dois personagens – mais especificamente ainda, um casal – isolados em sua pareceria e isolados no mundo. Aí o tal do Nuri Bilge Ceylan, descaradamente, passa a retratar sua condição de homem (macho) sem rumo no personagem masculino, que se sente só e de importância suprema para a ex-companheira quando distante dela, mas não conseguindo assumir um verdadeiro papel digno quando a seu lado. O filme tem todo um ponto de vista masculino como maneira única de olhar o que se passa dentro dele; fato que não seria tão chocante se amparado por sinceridade de princípios e não estivesse camuflando aparentes devaneios de poder e importância do próprio diretor. Os personagens solitários, que se isolam e “torturam”, não tem densidade dramática a ser considerada; densidade que tais papéis exigiriam caso fossem fruto de história preparada para escarafunchar as profundezas humanas, para cutucar feridas e tentar acalmar a alma – sinceramente. O tempo todo fica nítido que Ceylan está transitando com sua trama e seus atores em torno de um aspecto estético a ser destacado e marcado na retina do espectador. O filme é exagerada e falsamente belo. As paisagens de uma Turquia pitoresca estão ali para oprimir de tanto encantamento, não como um aspecto a mais do filme.

Mas o que fica mais evidente ainda a atrapalhar a cabeça e o bom senso dos mais sensatos e atentos é que toda a interpretação “blazé” do professor universitário, interpretado por ninguém mais ninguém menos do que, Nuri Bilge Ceylan – isso, o próprio diretor – parece querer esconder e revelar por pedaços, simultaneamente, toda a característica de homem imprescindível e “abandonado” que ele deve carregar no seu dia-a-dia; seu personagem, aparentemente, é o próprio, no cotidiano. A cena de sexo violento com a outra, a substituta – sim, você duvidaria ou teria alguma dúvida de que ela existiria no filme? -, é tão exageradamente abrutalhada (obviamente construída para “chocar” os mais tolos e encantar os que esperam um cinema verdade), criada para revelar desejo carnal intenso e incontrolável, que na realidade acaba por se tornar mais um dos indícios de que tudo que se passa lá dentro é extremamente falso; produto criado para pôr para fora um auto-exibicionismo e uma ego-admiração que os psicólogos tratariam logo de descontruir na forma aparente, para desnudar os segredos mais entrincheirados do diretor. Não só de belas e frias paisagens pode sobreviver uma obra que pretenda vender personagens verdadeiramente solitários e desolados.

Leia também: