MEU NOME É DINDI:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Bruno Safadi
Elenco:
Duração: 85 min,
Estréia: 07/11/2008
Ano: 2007


Djin Saganzerla parece que foi feita para "Meu Nome é Dindi". Ou ao teria sido ao contrário


Autor: Cid Nader

Djin Saganzerla parece que foi feita para "Meu Nome é Dindi". Ou ao teria sido ao contrário – me parece mais plausível essa segunda aposta. Esse filme experimentação de Bruno Safadi não seria o mesmo se a protagonista fosse outra. Djin é de beleza singular, olhar único, modo de expressão corporal que não tenho visto tão hipnótico no cinema há muito tempo. O trabalho de Safadi exigia imperiosamente uma atriz que não estivesse inscrita dentro de padrões "comuns" para desempenhá-lo. Não é obra que tente se abastecer de linearidade ou regularidade como mote condutor de sua função rítmica. Não é filme no sentido mais batido do termo - e isso é muito, mas muito bom.

Entre jovens diretores - principalmente os oriundos do mundo dos curtas-metragens - anda ocorrendo uma "insurreição" interessante, que tem primado pela opção estética avessa ao narrar não comum; que tem prestado contas à edição que empreste à película proximidade de artes plástica. Alguns têm acertado a mão, outros não. Esse jovem realizador carioca usa a cidade de duas maneiras bastante distintas para contar sua história - que, se pensada sinteticamente, narra o apuro de uma dona de quitanda endividada, que tem urgência em pagar suas dívidas a um crápula que a ameaça, inclusive de morte; paralelamente a esse momento tenso, um novo amor insinua; e mais à frente, um misterioso senhor com uma pasta na mão tem sua razão de estar no filme desvendada como surpresa típica de novela das mais comuns, das mais apelativas. Mas isso conta somente como fio necessário para conduzir, para ligar partes que deverão ser ligadas de alguma maneia quando se pensa na confecção de um filme.

De maneira inversa ao que se imaginaria, esse relatar dramático de teor novelesco consegue criar uma antítese bastante instigante, por causar estranheza interessantíssima quando ligada à ousadia estética/técnica proposta pela edição do filme. Que se ampara de captações basicamente executadas por planos seqüências (mais um fenômeno que se repete entre esses novos diretores). Mas a ousadia não fica nesse modo optado de filmar e se estende de maneira incrível e eficaz à edição, à composição do jogo de cores - que se alteram a cada mudança de ambiente e de tensão - e às atuações de Djin (sim, no plural), que são devidamente adequadas para cada momento. Se não há uma força de qualidade continua na correlação entre os "modos" (atuação, edição, fotografia) da obra, antes de somente creditar essa "falha" à juventude de Bruno, prefiro imaginar esse "porém" até como mérito, pela óbvia intenção de não nascer rendido, acomodado. Diretores que iniciam acomodados são do que menos precisamos por aqui.

E "Meu Nome é Dindi" não tem medo. Tanto quanto ousado e beirando riscos pela ousadia, é belo e emocionante. Os momentos na praia são dos mais bem filmados dos últimos tempos. Os medos, explicitados por opções estéticas nos cortes, luzes e cenários, são tensos o suficiente. A integração de Djin Sganzerla a todas as diferentes possibilidades que cada segmento do filme impõe e exige é inacreditável. Se tem falhas óbvias, é porque de falhas se nutre a arte que ousa.

P.S.: esse texto é basicamente o que escrevi no Festival de Tiradentes. Percebi que nele abordo alguns aspectos que me satisfazem no mesmo grau após a revisão do filme no Festival de Cuiabá. Por isso manterei essa crítica como a "oficial" nesse momento. Tranqüilamente. O filme se manteve no mesmo patamar, e alguns aspectos novos saltaram mais à minha vista dessa vez – coisas referentes aos climas oníricos, à movimentação do tempo (há idas e voltas que podem ser até consideradas como o maior fio condutor da história), ao estilo e referências a Rogério Sganzerla... Agora que o filme estreiou definitivamente no circuito comercial, irei reve-lo e aditarei considerações novas a essas que já havia feito, e que me satisfazem como um dos modos de observar a obra.

Leia também: