ROCKNROLLA - A GRANDE ROUBADA:


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Original: RocknRolla
País: Reino Unido
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Gerard Butler, Tom Wilkinson, Thandie Newton, Idris Elba
Duração: 114 min.
Estréia: 31/10/2008
Ano: 2008


Mais humor, menos engajamento


Autor: Cid Nader

Guy Ritchie tem construído carreira utilizando preceitos que se repetem sem constrangimento e com tenacidade - como se fosse autor construindo o conjunto da obra que o deixará com assinatura registrada. A narração em off, que caracteriza trabalhos anteriores, novamente se faz presente, e dessa vez parece um tanto mais rebuscada e "talvez filosófica" - isso é, o texto da narração off que ele utiliza como modo de substituir eventos imagéticos que narrem apresentações de história e personagens, parece mais rebuscado e confronta alguns procedimentos humanos à execução comum gangsterística dos protagonistas (truque dele em seus outros trabalhos, mas que por alguma razão, nesse, ostenta uma certa aura mais "densa"). Tal densidade advinda do teor da narração parece também ter imposto uma carga mais pesada ao caminhar da película, que por certas vezes passa a impressão de que se arrasta, dificultado um pouco a concentração (pecado grave num cinema que se pretende esperto e ligeiro).

Outra característica que se repete - e dessa vez causando positividade na avaliação - é a interação entre protagonistas subalternos e chefes mafiosos, com a violência mesclada à estupidez se alternando sistematicamente, sem muita rigidez na hora de fazer de uns "heróis atraentes" e de outros "bandidos feios", e recriando a dinâmica de pavor/humor tão particular à sua obra. Dessa vez a aposta no humor é mais possante (digamos assim) e a acusação ao mundo dos mafiosos e da bandidagem perde um pouco da força e da intenção (já que é pra fazer filmes nesse ritmo, melhor assim) "social" - benefício ao filme e talvez seu ponto mais forte. Talvez seu ponto mais forte e que faz da película um trabalho bastante apreciável e quase "indescartável".

Tudo se passa na Londres muito rica atual, cenário perfeito para atrair os mafiosos/poderosos/milionários da vez que são oriundos da Rússia. Trata da corrupção de políticos em troca inclusive de pequenos benefícios - como o controle de estabelecimentos de alimentação - que fizeram a história das máfias pelo mundo. A inclusão dos russos no momento - com um espetacular campo de futebol como pano de fundo para as negociações escusas - é esperta e dá um toque importante à história, possibilitando que o tom cômico tenha mais repercussão numa platéia um pouco mais antenada. A inclusão do cantor drogado da vez possibilita definitivamente a ligação do trabalho às origens britânicas, e a partir dessas duas opções de tipos de bandidos, ou elementos à beira da sociedade, o humor passa a ser executado com muito mais possibilidades.

É muito óbvia uma "britanicidade" na obra do diretor - fato óbvio e sem razão de ser questionado - e a inclusão de um momento com música do Clash executada incitando reação violência me cena de flash-back, constitui mais um elemento de paridade entre o autor, personagens e obras, o que gera um fato de acusação por algumas vezes por parte da crítica (para mim sem razão lógica, já que pensar em referências pessoais suscitando arte parece ser binômio mais lógico). E se aposta é mais forte no humor do que na "denúncia engajada", outro fator quer chama a atenção é um certo abandono machista (misógino?), com um papel relevante feminino e uma execução gay que extrapola maneirismos a partir de uma inicial reação maneirista quando do fato descoberto. O que resulta é um filme que no início é pesado (provavelmente pelo excesso nas explicações via narração), mas que ganha a atenção conforme avança no detalhamento das personalidades dos personagens, e que chega até a arrebatar quando as situações de humor explodem na tela (obtidas, basicamente de momentos bem violentos).

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