A ALEGRIA DE EMMA:


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Original: Emmas Glück
País: Alemanhã
Direção: Sven Taddicken
Elenco: Jördis Triebel, Jürgen Vogel, Hinnerk Schönemann, Martin Feifel, Karin Neuhäuser, Nina Petri
Duração: 99 min.
Estréia: 03/10/2008
Ano: 2006


Cinema alemão redivivo ou não?


Autor: Cid Nader

O início de "A Alegria de Emma" se dá com uma seqüência bastante incomum, quando a protagonista principal – a própria Emma (Jördis Triebel") – se prepara para matar um porco, de uma maneira bastante peculiar e, acreditem, emocionante. Ela é uma jovem dona de fazenda, que vive da produção de embutidos feitos com a carne de suínos, mas que tem uma dívida enorme a ser saldada para que possa continuar a ser dona de seu próprio negócio. Paralelamente às cenas de corte e destrinchamento do animal, seguem algumas outras nas quais se mostra a preparação de um homem que está prestes a ser avaliado (destrinchado por raios e máquinas ultra-modernas, na realidade) em um exame de ressonância magnética, com contraposições de imagens já não tão felizes e de ousadia questionável, e com um resultado um tanto quanto desestimulador, ainda mais se comparadas ao sincero bom momento inicial – uma brincadeirinha, na realidade, empreendida pelo diretor Sven Taddicken . É mais ou menos o que acontecerá com o filme durante todo o seu transcorrer; uma alternância de bons – alguns até bem belos – e maus momentos. Algo bastante compreensível quando vindo de um cineasta novo (esse é seu segunda longa) e, mais ainda, alemão.

É justo dizer que a Alemanha não vinha passando por bons momentos no cenário internacional, nos últimos anos. Mas, também é justo citar que novos e bons ares estão começando a ser soprados, oriundos da nova produção local. Interessante notar, também, que a produção de curtas-metragens e de animações do país já está a algum tempo ganhando destaque por sua qualidade. Tudo isso – cinema "curto" bom, seguido por um crescimento de qualidade do "longa" – tem paridade em outros países que já passaram por momentos de crise em sua realização cinematográfica, num processo bastante semelhante de queda e retomada, sendo o Brasil um grande e conveniente exemplo para tal "seqüência histórica".

"A Alegria de Emma", portanto, acaba por ser um resumo de tudo isso: um filme com belos momentos (Emma é emocionante em sua sinceridade, "brutalidade" e isolamento), boas e inventivas seqüências, alternando instantes de falta de imaginação, exageros desnecessários – não sei até quanto é justificável botar o personagem masculino (que entra na vida da garota de maneira abrupta) aos vômitos constantes, para justificar a presença de sua doença terminal –, e mais algumas soluçõess fáceis. Irregular, portanto. Mas creio ser justo dizer que é daqueles trabalhos que após algum tempo na cabeça preserva os momentos mais bonitos – o olhar de Emma entre eles –, e nota-se que foram os que ficaram mais marcados: os que sobreviveram mais na memória, e isso é sempre ponto positivo a favor de uma película.

É justo dizer que a Alemanha não vinha assando por bons momentos no cenário internacional, nos últimos anos. Mas, também é justo citar que novos e bons ares estão começando a ser soprados, oriundos da nova produção local. Interessante notar, também, que a produção de curtas-metragens e de animações do país já estão a algum tempo ganhando destaque por sua qualidade. Tudo isso – cinema "curto" bom, seguido por um crescimento de qualidade do "longa" – tem paridade em outros países que já passaram por momentos de crise em sua realização cinematográfica, num processo bastante semelhante de queda e retomada, sendo o Brasil um grande e conveniente exemplo para tal "seqüência histórica".

"A Alegria de Emma", portanto, acaba por ser um resumo de tudo isso: um filme com belos momentos – Emma é emocionante em sua sinceridade, "brutalidade" e isolamento -, boas e inventivas seqüências, alternando instantes de falta de imaginação, exageros desnecessários – não sei até quanto é justificável, botar o personagem masculino (que entra na vida da garota de maneira abrupta) aos vômitos constantes, para justificar a presença de sua doença terminal – e algumas soluços fáceis. Irregular, portanto. Mas creio ser justo dizer que, após uma noite com o filme na cabeça, os momentos mais bonitos – o olhar de Emma entre eles – são os que ficaram mais marcados; são os que sobreviveram mais na memória, e isso é sempre um ponto positivo a favor de uma película.

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