AMOR PARA SEMPRE:


Fonte: [+] [-]
Original: Enduring Love
País: Inglaterra
Direção: Roger MItchel
Elenco: Daniel Craig, Samantha Morton, Rhys Ifans e Bill Nighi
Duração: 100
Estréia: 30/09/2005
Ano: 2004


"Amor Para Sempre" - sotaque britânico, solução norte-americana


Autor: Cid Nader

O diretor Roger Michell, do aclamadíssimo e sucesso de público “Nothing Hill”, com seu formato quadradinho e certinho, de fácil aceitação visual - sem sobressaltos no estilo de filmagem e montagem - e tranqüilo trânsito pelo âmago dos que prestigiaram sua passagem pelas telas, surge agora com nova obra, na qual tenta ousar mais, talvez querendo nos mostrar o quanto amadureceu. Filma muito com a câmera na mão. Tomadas curtas, que são montadas de modo a imprimir agilidade e firmar credibilidade nos momentos de maior tensão ou angústia, e cenas aéreas - obviamente necessárias.

A história começa de maneira meio fantástica, quando um casal, durante um bucólico piquenique, num aprazível campo gramado cercado por árvores, presencia a cena incomum de um balão vermelho desgovernado, tripulado por um garoto e o avô. Correm, na tentativa de ajudar os dois tripulantes, ao mesmo tempo em que outras pessoas entram também em cena, com a mesma finalidade.

Os fatos se sucedem e a trama vaga por caminhos que levam ao inconformismo individual, por fracasso em momento crucial de proteção da vida humana; à desconfiança de traição, por parte de alguém que já não pode se defender; ou a uma paixão, aparentemente impossível de ser concretizada, misturada a algo de fanatismo religioso.

Há dois personagens que se destacam, embora todos os outros tenham bom peso na história. Joe, professor na região de Oxford, numa correta interpretação de Daniel Craig, e Joe Parry, de visual que mistura, fanático religioso, psicopata e assassino “com cara de não sou, mas que todo espectador tem certeza que é”, protagonizado por Rhys Ifans, de atuação irregular, um tanto quanto carregada nas tintas.

Roger Michell, pouco após o início, promete peripécias interessantes, principalmente em dois momentos: quando consegue fazer com que “vejamos” o vento, que numa súbita e decisiva lufada atravessa uma cortina de árvores e também numa bela, estranha e instigante cena, na qual dois homens se ajoelham para rezar, num quadro que se completa com um elemento visual de grande impacto.

Promete mas não cumpre totalmente, pois faz com que o filme enverede por caminhos que levam à superficialidade; à irregularidade. Superficialidade no uso da câmera na mão, que deveria ser mais econômico, pois muito estendido a boa parte da trama, sendo que esse é um recurso que já teve sua fase de modismo, e não caracteriza qualidade ou ousadia simplesmente por estar lá. Demonstra, por vezes, afobação no momento de finalizar cenas, parecendo não saber em que momento, ou onde, deveria “acomodá-la” - a câmera - para fechá-las.

Irregularidade na criação de cenas como, por exemplo, num jantar de aniversário, na qual ocorre uma reação exagerada da mulher de Joe, talvez precipitadamente, sem tantos elementos para deflagrar tal atitude; ou em outra, numa sala de aula, onde um dos personagens, lá intrometido, assobia à pior maneira de desajustado social, ou serial killer, carregando a ação para o exterior, para o ar livre, com gritaria gratuita e atitudes pouco convincentes.

Esse não cumprimento total de promessa, se estende a um cenário composto por crucifixos, fotografia com olhos queimados, e um taco de beisebol. Clichê manjadíssimo, no pior e vingativo modo americano de proceder.

Há um grande momento técnico, com uma ótima câmera grudada no ombro de Joe - aparentemente colocada mesmo no ombro do ator - que sobe correndo uma escada e consegue passar todo o clima de urgência e desespero necessários.

O filme tem momentos de bom clima, apesar dos exageros e enganos do diretor. Mais contido, porém, seria bem, bem melhor.

P.S: alguns atores, para mostrar naturalidade na atuação, insistem em mastigar com a boca aberta, com sofreguidão, fazendo barulho asqueroso. Por quê? Falta de educação.

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