OS GATÕES – UMA NOVA BALADA:


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Original: The Dukes of Hazzard
País: Eua
Direção: Jay Chandrasekhar
Elenco: Seann William Scott, Johnny Knoxville e Jessica Simpson
Duração: 106
Estréia: 23/09/2005
Ano: 2005


"Os Gatões - uma nova balada" - mais uma série de televisão


Autor: Cid Nader

A velha máxima do velho e saudoso gênio da comunicação, Chacrinha, Abelardo Barbosa: "Na tv, nada se cria, tudo se copia", de uma certa maneira vem se tornando na grande aposta da indústria do cinema norte-americano, nos últimos anos, na tentativa do lucro certo, de "arrasar quarteirões". Na realidade, o mote do velho guerreiro está sendo "reinterpretado", e nessa nova versão, constatamos que no cinemão nada se cria, pois da TV quase tudo copia.

O objetivo nos avanços sobre obras pop da Tv é como um tiro certeiro no alvo, com retorno financeiro garantido, pois atinge a necessidade nostálgica do espectador. O problema, é que nem todas essas reconstituições são de qualidade garantida. Por outro lado, fica óbvio que nem todos os programas ou seriados "homenageados" mereceriam tal deferência.

Coincidentemente - não, creio não ser mera coincidência - os melhores resultados alcançados têm se dado em cima de séries, criadas com base em HQs de alto teor de enredamento psicológico e forte estruturação na composição dos personagens. Recentemente, poderíamos situar num patamar de altíssima qualidade "Homem Aranha 2", com seu herói adolescente e suas eternas dúvidas e questionamentos, ou o humaníssimo monstro verde, "Hulk".

Ainda no campo das "coincidências", os piores resultados - lógico que não falo do retorno financeiro - tiveram como origem programas de menor qualidade, mesmo se aceitarmos que tais programas ficaram cravados no emocional de milhões de pessoas - nostalgia, marco da infância... "Família Buscapé" e " Os Flintstones", por exemplo.

"Os Gatões - uma nova balada", dirigido por Jay Chandrasekhar e que estréia agora, já carrega nos ombros, inicialmente, uma pretensiosa declaração de seu produtor, Bill Gerber, na qual diz que "estava procurando um projeto que realmente captasse o espírito americano". Como se "o espírito americano" se resumisse à formação do núcleo familiar, que deveria ser defendido de qualquer maneira, nem que para isso o uso da porrada e das batidas e capotadas de carros surgissem como as mais legítimas alternativas na execução de tal defesa.

Óbvio que o filme deve ser visto pelo lado mais aceitável, como obra de entretenimento, despretensiosa e ligeira. Baseado numa série de da "CBS", surgida em 1979, que freqüentou nossos aparelhos de televisão na década de 1980, o filme ressuscita os personagens "Bo" e " Luke Duke", interpretados por Tom Wopat e John Schneider. Ressuscita, também, Daisy Duke, uma prima, com seu micro short, jeito malicioso e evidente prazer por uma boa confusão - característica herdada geneticamente.

Principal, porém, para os aficcionados da série, parece ser o ressurgimento do Dodge Charger 1969, de cor laranja, e batizado com o sugestivo nome de "General Lee" - sugestivo, por estar situada a cidade de Hazzard no sul do país, região que mantém características seculares e impenetráveis, e que cultiva na memória, sempre e sempre, a Guerra da Secessão, palco do mitológico e paternal defensor General Lee.

Esse tipo de filme - recheado de personagens estereotipados, que usa a violência à maneira dos desenhos animados, situações de preconceito sexual, mulheres gostosas preenchendo a tela e seduzindo para obter vantagens (mesmo com as melhores intenções) - acaba por se tornar armadilha, quando cai em mão de diretores com menos capacidade de trabalhar tais situações.

O diretor Jay Chandesakhar, longe da esperteza dos Farrely, por exemplo, acaba por ficar com ao menos um pé preso na armadilha. Falha, principalmente, no ritmo certo, que é fator essencial quando se trata com armas, correria, batidas e explosões. Acerta na escolha, sentimental, de Burt Reynolds e Willie Nelson.

Essa nova moda de mostrar as gags no final do filme, acaba por ser reveladora, com a falta de graça nas mais bobinhas brincadeiras lá apresentadas. Os fãs da série - que afinal não era tão boa - talvez se identifiquem e curtam mais.

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