PEQUENAS HISTÓRIAS:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Helvécio Ra
Elenco: Patrícia Pillar, Paulo José, Gero Camilo, Marieta Severo
Duração: 83 min.
Estréia: 11/08/2008
Ano: 2007


Pequeno


Autor: Cid Nader

Helvécio Ratton parece ter perdido definitivamente a mão nesse seu mais recente trabalho. Já no anterior e mais famoso, "Batismo de Sangue", alguns indicios se mostravam bastante presentes – principalmente na metade inicial, que se salva milagrosamente por um "segundo tempo" arrancado lá do fundo das alma -, o que acabou por resultar algumas críticas negativas mais contundentes e reações do próprio diretor que fugiram ao bom senso e à necessária boa recepção da opinião alheia. Antes da apresentação do filme em Paulínia, ele declarou que esse seu trabalho (segundo suas palavras, voltado ao público infantil e ao público adulto que tem que obrigatoriamente acompanhar as crianças à sala de cinema) seria uma resposta tupiniquim ao domínio das produções norte-americanas de ação que "infestam" e invadem as salas de cinema no mês de julho. Perigoso tal confronto: primeiro porque nem tudo o que vem de lá de cima é lixo (nem tudo mesmo); também, porque parece tentar evidenciar uma separação nítida e intransponível entre o que temos para contar e o que os outros têm; e ainda por cima, porque ele acaba – depois de tais palavras – chamando para cima de si uma responsabilidade enorme, com jeito arrogante: e vá cumprir tal missão depois de chamar para a briga.

Não cumpriu. O que ele apresentou para o público foi um trabalho que se pretende muito mais lúdico do que é, na realidade – digo lúdico pela opção adotada de contar quatro histórias através da narração oral adulta (Marieta Severo o faz), que não se concretiza como necessária com o decorrer da película e com o revelar das histórias contadas (ruins, sem o sentido "fabular" que normalmente vem implícito em histórias narradas a crianças; sem qualquer pendor a coisas a serem narradas em forma de conto). A opção em costurar o filme (aliás, ele até utiliza uma metáfora de costura durante o tempo todo) pela narração, acaba por revelar-se mais um truque do que necessidade para fluidez, ou para chancela de obra para crianças. São contos que poderiam ser jogados na película sem tal truque, até porque não são bons textos a serem transpostos: muito menos com "cara de criança" – tem um que fala da procissão de almas penadas que, inclusive, me assustaria se eu fosse um dos consumidores alvo. Poderiam até ser destrinchados como curtas-metragens, de qualquer forma continuariam ruins mesmo assim. Há muita acomodação no trabalho com os atores – não desenvolvem bons personagens -; o trabalho estético do filme é quadrado (no mal sentido) e seu andamento remete-o ao estilo televisivo (inclusive, com enquadramentos dos mais propícios à tela pequena); por conta de tal soma de falhas evidentes, e ligado ao discurso do diretor, fica uma sensação de constrangimento quando se pensa no filme, de modo geral. Não recomendaria para meus sobrinhos, nem para os pais deles. E vamos parar com essa mania do ataque gratuito a tudo que vem de fora – parece muito cômodo e tenta colocar contra a parede quem pensa na arte como obra a ser executada bem, vinda de onde for.

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