VIRGEM DE 40 ANOS:


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Original: The 40 Years Old Virgin
País: Eua
Direção: Judd Apatow
Elenco: Steve Carell, Catherine Keener e Paul Rudd
Duração: 117
Estréia: 23/09/2005
Ano: 2005


"Virgem de 40 Anos" - virgem nossa, cruz credo


Autor: Cid Nader

Se você é daqueles que acha que um mau título pode ser prenúncio de um mau filme, Bingo, parabéns, dessa vez você acertou. Mas calma lá, pois o prêmio pode ser indigesto.

Indigesto talvez seja pouco como definição para essa comédia, "Virgem de 40 Anos", dirigida por Judd Apatow, que se apresenta para nós, incautos, como lebre, não passando do mais vira-lata dos gatos - com todo o respeito aos simpáticos bichanos; mas ditados existem para serem, por vezes, utilizados.

O filme se apresenta como espécie arrojada, de humor ferino e corrosivo, mas, na realidade, é careta e preconceituoso, abusando de clichês de mau gosto e soluções duvidosas.

Conta a história de Andy, Steve Carell, de 40 anos, que trabalha numa loja de aparelhos eletrônicos, cultuador de hábitos infanto-juvenis, como o de colecionar bonecos - que por vezes nunca foram tirados da embalagem - e jogador sistemático de videogame, melhor maneira de passar os momentos de folga. Ah, pequeno detalhe: é virgem de pai e mãe, totalmente, sem nenhum tipo de chance, completamente imaculado.

É óbvio que o objetivo do filme será o de desvirginá-lo, nem que para isso o diretor esqueça a boa etiqueta e, principalmente, o bom cinema. Já inicia o filme com cena de extremo mau gosto, ao acompanhar Andy, que acorda excitado - afinal tanto esperma e potência guardados -, ao banheiro.

Sem graça o momento em que três companheiros de trabalho descobrem ser ele ainda "menino-moço", durante uma partida de pôquer, que se encerra com papos sobre grandes feitos sexuais de cada um - uma descoberta sem nenhuma lógica, caída do céu. Clichê total e óbvio, o momento em que surge e seu futuro objeto de desejo, aguardado desde sempre; a mulher de sua vida. Sim, você duvidava?

O filme envereda por uma série de maus tratos a essa arte que tanto amamos: conselhos sexuais da mais incrível bestialidade - começar transando com "vadias" e ir subindo de nível; aprendizado cretino, que inclui até o de urinar na rua; cena esticada, que se propõe "anárquica" de depilação, por garota extremo-oriental, com final manjadíssimo.

O problema é que tudo é extremamente "fake", pretensiosamente ousado e irreverente, mas que é somente bobo. Muito bobo. As cenas são esquetes que não têm como se estender, por nítida falta de imaginação de roteirista e diretor. Judd Apatow não consegue impor ritmo, corta rápida e abruptamente qualquer expectativa de momentos mais elaborados. Tudo acompanhado de diálogos muito pouco inspirados.

Conforme caminha ao final, já calejados e ressabiados com o que vem nos sendo apresentado, uma cascata de caretice e previsibilidade tenta nos afogar. Os amigos que se mostraram sempre como machões sem escrúpulos e individualistas, do nada - como se eu não soubesse que isso iria acontecer - surgem recitando papos sobre não traição por não merecimento, amor para toda a vida, casamento como porto seguro, blá,blá,blá...

O filme não encara de frente o que tenta nos vender, a audácia de uma obra mais marginal. Não tem coragem, é somente aparência. Tem como único mérito a utilização de hits dos anos 1970.

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