Mongolian Ping Pong

Estreou há mais de três meses e continua em cartaz em São Paulo um modesto filme que fez um grande sucesso no boca-a-boca entre os cinéfilos paulistanos. “Camelos Também Choram” é esse documentário que retrata a vida de uma família nômade da Mongólia que divide seu tempo entre os afazeres cotidianos e o drama causado quando um filhote de camelo é rejeitado por sua mãe, o que pode levá-lo a morte.

“Mongolian Ping Pong” é o perfeito complemento ficcional a “Camelos Também Choram”. Neste filme de Ning Hao, acompanhamos a vida de uma outra família nômade mongol quando algo extraordinário os tira de seu cotidiano: a descoberta pelo filho caçula de uma bola de pingue-pongue. Como nem ele nem seus amigos jamais haviam visto uma dessas bolinhas, esse pequeno evento serve de partida para um grande despertar dessas crianças, que passam a buscar várias interpretações possíveis para aquilo que encontraram, a começar pela declaração da avó, que diz tratar-se de uma grande pérola enviada pelos espíritos do rio.

O filme parte dessa pequena brincadeira entre as crianças e do aparente isolamento e inocência dessas famílias para fazer um contraponto entre o que é exótico e o que é cotidiano nestes tempos de globalização. Tal análise, entretanto, é sempre acompanhada de uma sutil ironia (como na cena inicial onde os protagonistas posam para uma foto, em pleno deserto, diante de um cenário da praça da Paz Celestial e posteriormente, nessa mesma praça, uma outra família posa diante do cenário de um deserto), como a negar uma apologia a esse ilusório primitivismo.

Como já nos mostrava “Camelos Também Choram”, a beleza desses povos não reside em seu isolamento da “civilização”, mas sim em seu olhar diferenciado diante do mundo que os cerca. Ning Hao nos traz esse ensinamento com um filme singelo e humano, assim como o povo que pretende retratar.

Leonardo Mecchi – Editor do site Enquadramento






















  Ficha Técnica:  Mongolian Ping Pong . China. 2005. Direção: Ning Hao. Com: Hurichabilike, Dawa, Geliban, Badema, Yidexinnaribu. 102 minutos.





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