Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios :


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Beto Brant, Renato Ciasca
Elenco: Gustavo Machado, Camila Pitanga, Zecarlos Machado, Gero Camilo.
Duração: 100 min.
Estréia: 20/04/2012
Ano: 2012


Excesso de expectativa, quase sempre, mãe da decepção

Autor: Cesar Zamberlan

De Beto Brant espera-se sempre muito, e descontado O amor segundo B. Schiamberg” que só vi um episódio na TV e desisti, considero o conjunto da obra do cineasta dos mais representativos do cinema brasileiro recente.

Faço o preâmbulo para dizer que a expectativa em torno de Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios , lindo título do livro de Marçal Aquino, mais uma vez parceiro do diretor, era enorme, e, como inteligentemente se diz, a expectativa é, quase sempre, a mãe da decepção. E foi.

Receberia envereda por muitos caminhos e consegue criar uma bela personagem, a Lavínia, interpretada por Camila Pitanga. Os dois primeiros momentos da história da personagem são muito bem construídos e poéticos, já o terceiro é atropelado demais e, de certa forma, sofrível. Gosto, sobretudo, da redenção da personagem no Rio de Janeiro a partir do seu encontro com o pastor. Já a trama que se dá no vilarejo no Norte do país para onde eles migram é bastante irregular, alternando bons momentos com momentos não tão bons, bons personagens com outros já não tão bem construídos. As irregularidades no caminho do roteiro, no entanto, são, muitas vezes, compensadas por uma direção eficiente de atores, por um timing certo na duração dos planos, por passagens de tempo inteligentes na montagem. Dados que atestam a presença de um diretor do qual se pode esperar muito.

Porém, além de criar discursos imagens soltos - políticos, ecológicos, religiosos e místicos – e perdidos no subtexto da história romântica, há uma aceleração da história, um turbilhão de eventos na parte final do filme que destrói a já não muito forte unidade narrativa que se construía. E na hora que as coisas poderiam se amarrar, se amalgamar, o que se tem é uma sucessão de fatos desencontrados, forçados, apressados - e tudo desanda de vez.

Para não ser mais rigoroso – somos sempre muito condescendentes com o cinema brasileiro e com cineastas que gostamos – volto a citar a minha enorme expectativa; e se o filme como um todo não me contenta, fico com as três sequências do fotógrafo com o palhaço “pistoleiro” que me lembram, sobretudo, o trabalho que mais gosto de Beto Brant: Um Crime Delicado.


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