Fonte: [+] [-]
 

Sérgio Machado e Alice Braga falam sobre “Cidade Baixa”

























O diretor Sérgio Machado recebeu o Prêmio da Juventude por seu filme “Cidade Baixa” no Festival Internacional de Cinema de Cannes 2005, uma honraria nunca antes concedida a um realizador brasileiro. A ação do filme é localizada na Bahia e retrata o triângulo amoroso entre a prostituta Karinna (Alice Braga), Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura), dois jovens que levam uma vida semi-marginalizada.

Machado viaja agora pelo continente europeu, onde seu filme tem exibição programada em diversos festivais internacionais. “Cidade Baixa” em breve será lançado em circuito comercial em vários países. Foi exatamente durante o Festival de Cinema de Londres, um dos mais importantes centros culturais do mundo, que o nosso repórter realizou uma entrevista exclusiva com Sérgio e Alice Braga, 22, a protagonista do filme.

Foi uma conversa descontraída de cerca de uma hora no sagão do Sofitel, o luxuoso hotel no centro da capital britânica onde os dois estão hospedados. Sérgio fala da recepção de “Cidade Baixa” no exterior, do atual panorama do cinema brasileiro, de sua relação com Walter Salles e de suas maiores referências no cinema, dentre outros assuntos. Alice Braga comenta sua carreira no presente e no futuro e de sua relação com a tia Sônia Braga.

_____________________________________________________________________

[Entrevista realizada em Londres, no dia 29 de outubro por Victor Fraga* ]
_____________________________________________________________________


A crítica internacional tem sido bastante positiva e seu filme chegou a ser comparado pela mídia inglesa ao clássico Jules et Jim. A reação do público internacional tem sido igualmente positiva?

Sérgio Machado
- Resumindo, não poderia ter sido melhor. O diretor de Cannes foi a segunda pessoa que viu o filme pronto e a partir daí as coisas começaram a acontecer muito rápido. Na madrugada depois de ele ter assistido ao filme, a gente começou a receber diversos telefonemas de pessoas aqui da Europa querendo comprar o filme. Aí a gente foi pra Cannes, a sessão completamente lotada, daí foi preciso fazer sessões extras, foi super aplaudido, as críticas foram ótimas, vendemos pra vários países e ainda saímos com um prêmio.
Eu lembro que eu estava batendo papo com uma representante da distribuidora Lumina, explicando que meu filme esteve em 15 festivais e havia ganhado prêmio em todos, mas que achava que aqui em Cannes ia ser a primeira vez que não ia ganhar. Nesse exato momento tocou o telefone avisando que o filme havia ganhado o Prêmio da Juventude.

Alice Braga – Ontem mesmo eu fiz uma busca no Google e apareceram diversas críticas do filme, todas muito positivas. A Time Out inglesa [maior guia de entretenimento do Reino Unido], por exemplo, falava super bem do “Cidade baixa”.


Para que países o filme já foi distribuído?

Sérgio Machado
- Eu não sei de cor, são muitos, incluindo os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Espanha e até mesmo mercados pequenos como Cingapura e Luxemburgo – vendeu muito mesmo. Além disso, ele já foi convidado pra pelo menos mais uns 40 festivais. E o legal é que nos países grandes foram justamente as grandes distribuidoras que se interessam por meu filme. Na França, por exemplo, foi a Ocean, que distribuiu os filmes do Tsai Ming Liang e do Wong Kar-Wai. Nos Estados Unidos, foi a Palm Pictures, que distribui os melhores filmes alternativos.


Você uma vez citou Godard, dizendo que “o cinema é a realidade 24 vezes por segundo” e que era exatamente isso que estava buscando fazer em seu filmes. Que tipo de realismo você busca?

Sérgio Machado
- Mais do que buscar um realismo, eu buscava exprimir meu interesse pelo ser humano, minha genuína curiosidade pelo outro. Antes da gente se aprofundar no filme, eu e o Karim [Ainouz, cearense responsável pelo roteiro de “Cidade Baixa”, junto de Machado] passamos um tempo nos perguntando o que é que a gente queria dizer com filme. Aí chegamos à conclusão de que, quando você vê uma pessoa de longe, o que salta aos olhos são as diferenças, seja uma prostituta, um travesti ou a rainha da Inglaterra. Aí quando você conhece a pessoa melhor, mais de perto, descobre que todo mundo é muito parecido, já que todo mundo tem medo, tem desconfiança, tem ambições, tem dor de barriga etc. O que é essencial acaba sendo comum a todo mundo. E isso foi a primeira descoberta sobre a qual a gente quis falar: gente de perto é muito parecido. Daí veio a idéia de mostrar pessoas que normalmente você não presta muita atenção: uma puta, um trambiqueiro, o cara que é um filho da puta.
O fato que eu queria falar sobre gente determinou uma porção de coisas. Por exemplo: a câmera na mão seguindo os atores, toda a prioridade do filme foi para os atores. O uso de lentes objetivas pra chegar bem perto do suor, dos poros, das espinhas, das imperfeições. Não precisava maquiar as espinhas.

Alice Braga – O Sérgio é a única pessoa do mundo que vê uma espinha e diz: “não toca, deixa ela aí”. Porque é verdade, as pessoas têm espinha, não é?

Sérgio Machado – Isso definiu também o som do filme. É por isso que, às vezes, dá pra ouvir a respiração dos personagens. Isso influenciou até a edição do filme: a gente tentou montar o filme no ritmo do movimento cardíaco dos três. Quando eles estão com taquicardia, corta mais. Quando eles estão mais tranqüilos, às vezes nem corta.


Então o realismo ao qual você se refere se reflete, sobretudo, no aspecto humano, físico e até fisiológico?

Sérgio Machado -
Eu acho que, mais do que realismo, é o desejo de falar sobre gente que move o filme.


Você também já afirmou que seu filme é sobre pessoas e não sobre acontecimentos. Com isso quer dizer que seu filme não é ideológico nem político?

Sérgio Machado
- Ele acaba sendo político porque você fala de pessoas que normalmente são ignoradas e marginalizadas. E quando você fala do que ninguém quer falar você acaba sendo político. Mas o meu olhar não é sociológico, ele é, sobretudo, humano.


Não existe neste momento no Brasil um movimento ou uma estética tão bem delineada como o Cinema Novo ou o Cinema Marginal há 30 anos. Acredita que seu filme se encaixe em algum movimento ou estética ou que ele possivelmente abrirá portas para tal?

Sérgio Machado
- Eu não tenho muito a intenção de ser filiado a nada. Engraçado que nos últimos dois ou três meses eu só tenho dado entrevista no Brasil sobre isso. São as pessoas querendo identificar uma estética entre mim, o Karim [diretor de “Madame Satã”], o Marcelo Gomes [diretor de “Cinema, aspirinas e urubus”, filme também selecionado para Cannes esse ano], etc, diretores que querem fazer cinema sem concessões, que vai além de contar meras histórias. Eu não sei se eu me sinto pertencente a uma determinada escola. Eu quero fazer filmes que falem sobre mim. O “Cidade baixa” é um filme sobre a minha maneira de ver o mundo, coisas em que eu acredito. Quando eu fiz o filme, eu não fiquei pensando muito em quem eu quero atingir, e eu não sei se isso foi bom ou ruim. Eu quis falar das coisas que me incomodavam. Acho que o mínimo de qualidade que meu filme tem reside na honestidade.


O que há de diferente e em comum entre o seu trabalho, o do Karim e o do Walter Salles, considerando que vocês trabalham tão próximos?

Sérgio Machado
- O que há de comum entre nós três, assim como no trabalho do João [Moreira Salles] e do Eduardo [Coutinho] e de todos aqueles que trabalham meio em volta da produtora [Videofilmes], é um desejo de falar de gente, de afeto, de redenção. Nenhuma dessas pessoas tem um olhar cínico. Mas, é claro que cada um deles tem um caminho diferente. Acho que ninguém se preocupa em fazer um filme comum a determinada estética. O Karim costuma dizer que, em vez de fazer “cinema independente”, a gente faz cinema “cinema dependente”, já que a gente depende um dos outros. Em todos os projetos, todo mundo se mete; a gente faz leituras coletivas dos roteiros, todo mundo interfere e ajuda no roteiro um do outro. Os últimos três filmes brasileiros que foram pra Cannes, por exemplo, foram o “Cidade Baixa”, o “Cinema, aspirinas e urubus” e o “Madame Satã”, sendo que o “Cidade Baixa” foi escrito por mim e pelo Karim, o “Cinema, aspirinas e urubus” pelo Marcelo e pelo Karim e o “Madame Satã” por mim, pelo Marcelo e pelo Karim. E o filme novo do Karim a gente estava junto, os atores são os mesmos. É a mesma turma, a mesma galera. A participação é tão grande, a gente interfere tanto nos filmes uns dos outros que a gente acaba tendo que assinar! Outro dia mesmo, eu li o roteiro de uma cineasta que se chama Sandra Kogut e achei lindo. O resultado é que eu estou ligando pra ela toda hora e mandando e-mails sugerindo coisas, sugerindo elenco. Você acaba criando sem querer um grupo de amigos muito coeso.
Eu acho que desde o começo da retomada, quando o cinema renasceu depois da era Collor, todo mundo foi fazendo cinema do seu jeito, no seu lugar. Eu faço meu filme aqui, você faz seu filme ali. Mas, o que tem de diferente nessa turma é que está todo mundo fazendo o roteiro do filme um do outro, ajudando, se metendo pra valer.


Como foi o financiamento do “Cidade Baixa”? Você acha muito difícil fazer cinema no Brasil hoje em dia?

Sérgio Machado
- Não é fácil fazer cinema no Brasil, assim como não é fácil fazer cinema em lugar nenhum do mundo. Mas as condições estão aí. Você consegue financiamento por meio das leis de renúncia fiscal e agora tem editais também. Então, a situação não é tão ruim. Eu acho que a grande tragédia do cinema brasileiro é a distribuição. Você consegue fazer o filme mas tem muita dificuldade em distribuí-lo. Uma boa parte, a metade dos filmes brasileiros não chega nem às telas. Realizar um filme não é difícil,o difícil é fazê-lo chegar às pessoas.


O diretor Hector Babenco afirmou que a renúncia fiscal, à qual você se refere, dá muita liberdade aos diretores brasileiros, ao contrário de outros lugares do mundo, onde o capital é privado e há muita interferência no conteúdo e no formato dos filmes. Você concorda com ele? Você teve essa liberdade na realização do “Cidade Baixa”?

Sérgio Machado
- Consegui o dinheiro e nunca me cobraram nada. No meu caso, pelo menos, não só tive a liberdade, como também tive o apoio de todos aqueles que ajudaram a financiar o filme. Essa liberdade certamente permitiu imprimir meu caráter próprio no “Cidade Baixa”, sem medo de repressão.


Em relação à problemática da distribuição, a que você se referiu, você acha louvável que o cinema brasileiro se reinvente, mude sua estética, com a finalidade de atingir o mercado internacional e garantir retorno financeiro para a produção?

Sérgio Machado
- Eu acho que não. Eu acho ruim você se reinventar com a intenção de conseguir projeção fora.


E o que você acha que deve mudar então?

Sérgio Machado
- Eu acho que deve mudar é a estrutura de distribuição no Brasil, que é pífia. Os ingressos são caríssimos, 16 reais, e por isso 90% da população não tem acesso a eles. Mas, por exemplo, em Recife tem um cinema que custa um ou dois reais; é um cinema gigante, com dois mil lugares, e que conta com o apoio do governo. Lá sempre lota e eles sempre passam cinema brasileiro.
Alice Braga – É muito caro mesmo, as pessoas não podem deixar de comer para ir ao cinema.


E qual sua sugestão para melhorar a distribuição do cinema fora do Brasil?

Sérgio Machado
- Eu acho que as pessoas têm que continuar fazendo o que estão fazendo agora, ou seja, filmes sinceros e honestos, que acabam repercutindo mundo afora. Eu nunca me preocupei, quando estava fazendo o “Cidade Baixa”, se ele ia vender pro Paraguai, pro Uruguai ou pros Estados Unidos. Eu me preocupei em fazer um filme da melhor maneira que eu podia, falando as coisas que eu queria falar. Eu acho que existe um mercado no mundo para cinema desse tipo. Isso foi uma coisa que eu senti muito forte quando fui pra Cannes. Eu tive a sensação de que há espaço aqui e em outros lugares para meus filmes. Há um interesse crescente em filmes autênticos e honestos. Não é à toa que eu passei o dia aqui dando entrevista para imprensa do mundo inteiro.


No Brasil, há um antagonismo muito grande entre a linguagem do cinema e da televisão. Além disso, diferentemente dos Estados Unidos, no Brasil há poucos filmes feitos para a televisão. Você acredita que o cinema brasileiro deve se adaptar mais ao perfil da televisão com a finalidade de atingir as grandes massas?

Sérgio Machado
- Eu acho que o cinema brasileiro já está fazendo isso bastante. Acho que grande parte dos filmes feitos hoje em dia já está adaptada para a televisão, como, por exemplo, o “Lisbela e o prisioneiro” e “O auto da Compadecida”, ambos do Guel Arraes. Agora o Luiz Fernando Carvalho também vai fazer um.


E esse seria um caminho viável para seus filmes?

Sérgio Machado
- Eu acho que tem dois caminhos para você fazer filmes no Brasil. Um deles é você fazer filmes voltados para o grande público, filmes feitos já pensando no que o público quer ver. O segundo caminho é fazer filmes absolutamente pessoais e a partir daí tentar chegar ao mundo. Neste momento, minhas intenções estão voltadas ao segundo caminho. Eu pretendo fazer filmes cada vez mais pessoais. Mas isso não quer dizer que eu não ache a primeira opção válida. Pra uma cinematografia existir, é necessário fazer tanto filmes com apelo comercial forte, feitos mesmo para agradar ao público, quanto filmes mais ousados, que vão viajar mais, ganhar festivais e trazer visibilidade pro Brasil. Algumas vezes, esses dois caminhos podem até se encontrar, esse foi o caso do “Cidade de Deus” e do “Central do Brasil”.


Quais são as suas maiores referências no cinema, nacional e internacionalmente?

Sérgio Machado
- É difícil dizer, já que eu sou um cinéfilo alucinado e doente. Há muito tempo que eu não durmo sem ver um filme. Se eu estiver num lugar que não tiver um canal com cinema e que eu não leve nem notebook com DVD, é difícil dormir. Eu me acostumei, há muitos anos, a assistir a filme o tempo todo. Hoje, lá em meu quarto, eu tenho um telão com fone de ouvido sem fio e minha mulher tem uma máscara. Eu passo a noite assistindo filme.


Filme americano?

Sérgio Machado
- Não, não. Eu gosto de cinema clássico. Filmes russos e alemães da década de 30, desde Fritz Lang a Murnau a Eisenstein e Pudovkin. Além disso, eu gosto do cinema americano dos anos 70, as coisas do Scorsese e do Coppola. Nos meus filmes, tem também uma influência forte do neo-realismo italiano no modo de tratar os atores, da Nouvelle Vague francesa e do Cinema Novo brasileiro no modo de segurar a câmera. Certamente também teve uma influência do perfeccionismo do Walter, já que eu trabalhei com ele quase 12 anos. Só que quanto ao cinema brasileiro contemporâneo, quem mais me influencia é o Eduardo Coutinho, já que, nos filmes dele, ele diz um pouco do que eu queria dizer em meus filmes. O “Edíficio Máster” é um filme que me tocou muito; ele me fez chorar porque eu vi ali na tela tudo que eu gostaria de dizer com os meus filmes. O Coutinho é um cineasta que me influenciou muito.


E quais são seus projetos para o futuro?

Sérgio Machado
- Eu estou pensando em fazer um filme sobre um assalto a banco para que eu possa ficar com todos os atores o tempo inteiro numa só locação. Eu quero ficar mais próximo e passar mais tempo com meus atores, para poder assim aprofundar minha relação com eles.


Alice, você poderia explicar como foi o processo de seleção para o “Cidade Baixa”?

Alice Braga
- Na verdade, não houve um processo de seleção. Eu fui convidada pelo Sérgio para fazer um teste para o “Cidade Baixa” para ver no que daria. Como a experiência foi super positiva e a gente se deu super bem, as gravações começaram logo em seguida. Houve bastante afinidade e, por isso, todo o processo foi muito tranqüilo e o resultado foi bastante satisfatório, que é o que as pessoas podem conferir quando assistirem.


E o fato de ser sobrinha de um dos maiores ícones do cinema brasileiro, a Sônia Braga, ajudou a sua carreira ou foi na realidade um fardo?

Alice Braga
- Nem um, nem outro. Ultimamente, não tenho tido muito contato com ela. Ela não teve influência na minha seleção para a Angélica do “Cidade de Deus”, papel no qual iniciei minha carreira no cinema, e nem para a Karinna do “Cidade Baixa”. Sem dúvida, sempre vão me associar com ela, já que sua importância para o cinema brasileiro é enorme, mas isso não me incomoda nem um pouco.


Como foi a experiência de fazer um filme baiano, filmado na Bahia, com um diretor baiano, atores baianos, sem ser baiana?

Alice Braga –
Foi fantástico, eu me adaptei muito bem. Eu adorei o período que passei na Bahia e fui muito bem recebida. Mas é claro que nunca daria pra fingir que sou baiana. E é exatamente por isso que a Karinna do filme vem de fora, assim como eu. Então não foi preciso aprender o sotaque local.


O quanto da Karinna tem na Alice e o quanto da Alice tem na Karinna?

Alice Braga
– O Sérgio sempre nos deu muita liberdade pra construir nossos personagens. E é por isso que tem muito de mim dentro da Karinna. Eu tentei incorporar bastante doçura e honestidade à minha personagem, e eu acho que isso dá pra perceber nas telas. Quanto ao que a Karinna acrescentou à Alice, acho que isso se refere ao lado passional, aventureiro, uma coisa que todos nós brasileiros temos um pouco.


Logo no começo do filme, a Karinna é chamada de periguete. É a esse lado passional que você se refere?

Alice Braga
– A Karinna é uma pessoa corajosa, que se joga de corpo e alma em tudo que faz. Ela age com o coração e o faz com convicção e com doçura ao mesmo tempo. E acho que é por isso que ela é uma periguete.


E você se considera uma periguete?

Alice Braga
– (risos) Eu acho que todos nós somos um pouco, você não acha?


Você fez recentemente um filme no México, “Sólo Dios Sabe”, em que faz o papel de uma brasileira. Você pretende sempre ser reconhecida internacionalmente como brasileira ou pretende também fazer outros tipos de papéis?

Alice Braga
– Pretendo fazer papéis de todos os tipos. É claro que eu sou brasileira, por isso não é de surpreender que, por enquanto, eu esteja fazendo papel de brasileira. O que eu quero agora, acima de tudo, é dedicar o máximo de tempo possível aos meus estudos de drama. Quero aprimorar minha técnica e expandir minha carreira no cinema e acredito que estudando seja a melhor forma de fazê-lo. Em determinado momento, tenho certeza de que poderei fazer outros papéis, já que cinema, afinal de contas, é universal.


E você pretende se concentrar em cinema, ou pretende também fazer televisão e teatro?

Alice Braga
– Eu gosto muito de cinema, o que pretendo continuar fazendo o máximo possível. Também quero fazer teatro. Já em relação à televisão, não tenho planos.


* Victor Fraga é jornalista especializado em cinema, formado em Film Studies pela BirkBeck College, parte da University of London.